Audiência Pública de Autoria do Vereador Biga Debate os Efeitos das Queimadas e Medidas de Prevenção

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Evento expôs dados ambientais e de saúde, bem como projeções sobre os possíveis impactos futuros na região

A audiência pública intitulada “Fumaça das queimadas e suas consequências ambientais e para a saúde – um alerta sobre o cenário que pode se repetir” foi realizada na manhã desta quarta-feira (27), no auditório da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A iniciativa foi proposta pelo vereador Biga Kalahare, líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara Municipal de Santarém.

O evento contou com a participação de representantes de instituições ambientais, do poder público municipal, parlamentares da região metropolitana, membros da sociedade civil e da comunidade acadêmica. Os debates concentraram-se na problemática das queimadas e seus impactos nas esferas ambiental, social e de saúde pública.

Segundo o vereador Biga, a finalidade da audiência foi unir forças e estabelecer parcerias com os governos federal, estadual e municipal, de forma a possibilitar uma atuação conjunta no combate às queimadas ilegais, com o objetivo de evitar a repetição do cenário crítico vivenciado em 2024.

Naquele ano, o estado do Pará foi responsável por 20,1% das queimadas registradas no país. Somente nas primeiras 48 horas de setembro, o estado liderou o ranking nacional, com o registro de 2.800 focos ativos, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Durante a audiência, a doutora em Ciências Climáticas Ana Carla Gomes apresentou dados referentes às queimadas ocorridas no ano anterior e compartilhou projeções para os próximos meses. Utilizando técnicas de avaliação das condições meteorológicas, com base em dados históricos, a pesquisadora alertou para a possibilidade de o município enfrentar de 30 mil a 50 mil ondas de calor a partir de setembro, destacando que o segundo semestre é o período mais quente na região. “A partir dessa projeção, identificamos que o mês mais crítico para as queimadas será setembro, com 510 focos de calor”, afirmou.

O 4º Grupamento de Bombeiros Militar de Santarém também apresentou estatísticas relativas à atuação da corporação. Entre os meses de setembro e dezembro de 2024, foram registrados 891 incêndios florestais. Uma das estratégias adotadas pelo 4º GBM para o controle das queimadas na região ribeirinha tem sido a criação de brigadas florestais comunitárias nas localidades da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns.

A Secretaria Municipal de Saúde, representada pela enfermeira Marilza Branches, destacou os impactos na saúde da população durante o período em que o município registrou pico de concentração de poluentes de 154 µg/m³, valor 30,8 vezes superior ao limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dados fornecidos pelo Núcleo de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) apontam que, entre dezembro de 2024 e março de 2025, foram notificados 284 casos de problemas respiratórios associados às queimadas. Os pacientes apresentavam sintomas como falta de ar, intoxicação e ardência nos olhos. “As doenças respiratórias aumentaram significativamente nesse período. Diversos casos foram registrados como intoxicação pela fumaça”, explicou a representante.

A realidade vivenciada pelas populações tradicionais e comunidades de várzea também foi abordada. O coordenador em exercício do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns, Lucas Tupinambá, relatou as medidas de controle ambiental adotadas pelos povos indígenas. “Estamos fortalecendo as brigadas em nossos territórios Tapajós e Arapiuns, que já atuam de forma resistente. Se não tomarmos a dianteira nessa luta, seremos bastante prejudicados”, concluiu.

Por Daína Aben-Athar- Assessora de Imprensa do Vereador Biga (PT)

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