Média nacional é de 66 casos por dia, segundo dados apresentados na tribuna
Durante a sessão ordinária desta terça-feira (3), na Câmara Municipal de Santarém, o vereador Biga Kalahare (PT) utilizou a tribuna para alertar sobre os dados alarmantes relacionados ao desaparecimento de crianças e adolescentes no Brasil, com destaque para a realidade do Pará.
Com base em levantamento do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o parlamentar destacou que, em 2025, o país registrou uma média de 66 desaparecimentos de crianças e adolescentes por dia. Ao todo, foram contabilizados 23.919 casos envolvendo pessoas com menos de 18 anos, sendo 61% das vítimas meninas.
No Pará, os números também chamam atenção. Somente em 2025, foram registrados 1.238 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes, o maior número da série histórica iniciada em 2015. Para o vereador, os dados evidenciam a necessidade de atenção imediata e permanente do poder público.
Biga observou que, embora não seja possível afirmar a finalidade de todos os desaparecimentos, uma parcela significativa dos casos está relacionada à exploração sexual e ao tráfico humano. Diante desse cenário, defendeu o fortalecimento das instituições públicas responsáveis pela proteção de crianças e adolescentes, com a garantia de estrutura adequada para a investigação e o acompanhamento dos casos.
O parlamentar também ressaltou a importância de ampliar o debate no âmbito municipal, levando informações às escolas e orientando as famílias sobre prevenção e cuidados com crianças e adolescentes. Para ele, o enfrentamento ao desaparecimento infantil deve ser tratado como prioridade.
Ao final do pronunciamento, o petista também manifestou apoio ao movimento dos povos indígenas do Baixo e Médio Tapajós, cuja ocupação completa 13 dias em frente à unidade de uma multinacional do setor de alimentos e soluções agrícolas, em protesto contra a dragagem no Rio Tapajós. Biga destacou que a mobilização é legítima e representa a defesa do rio, do meio ambiente e dos territórios tradicionais.
O vereador enfatizou a importância do diálogo institucional e afirmou confiar na condução do Governo Federal, que já mantém tratativas com o movimento. Segundo ele, a escuta e a construção conjunta são fundamentais para garantir que eventuais decisões não provoquem impactos ambientais nem prejudiquem os povos indígenas e as populações ribeirinhas da região.
Por Daína Aben-Athar – Assessora de Imprensa do vereador Biga Kalahare