Psicóloga ouvida pela ASCOM/CÂMARA: “A pandemia ainda existe, assim como os riscos causados por ela; pessoas morrem diariamente”

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Yara Caripuna* expõe a questão do comportamento incoerente de parcela significativa da população diante da crise sanitária que já resultou em quase 400 mortes em Santarém e mais de 126 mil no Brasil.

O campo vivencial que temos experimentado nos últimos meses apresenta um cenário diferente ao que vivíamos antes. Com a pandemia do novo coronavírus, diversas medidas governamentais foram implementadas, na tentativa de controlar a disseminação do vírus, respeitando sempre as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nesse sentido, uma das medidas adotadas foi o isolamento social; um isolamento profilático.

Todavia, com o passar dos meses, permitiu-se a retomada do comércio e de alguns serviços, com regras e restrições determinadas. Porém, observa-se que em muitos sujeitos há um comportamento de reação de fuga no não cumprimento rigoroso dessas normas, haja vista que uma regra para gerar ação efetiva precisa ter alguma representatividade afetiva para o sujeito (nesse caso, o contágio em si ou em alguém do seu meio de relacionamentos). Ressalta-se que o indivíduo pode criar mecanismos para não desenvolver comportamentos neuróticos; considerando isso, passam a tomar as notícias positivas como suporte e projetam-se entre os que estão fora das estatísticas da doença, minimizando as situações reais.

Vale salientar que a pandemia ainda existe, assim como os riscos causados por ela; pessoas morrem diariamente. Entretanto, observa-se que está sendo normatizada quando para muitas atitudes justifica-se com o “novo normal”. É como se estivessem cristalizando nossa vivência atual, mascarando a gravidade e os riscos, possibilitando ao indivíduo o sentimento de segurança de que não ficará doente, gerando neste uma reação intermediária como, por exemplo, usar máscara, mas não respeitar o distanciamento social, o que pode resultar em bares lotados, aglomerações em praias e parques, dentre outros; um efeito da relação indivíduo/ambiente, indicando o processo pelo qual se pensa.

A vida social é uma das necessidades básicas do ser humano, faz parte do seu processo de bem-estar e qualidade de vida, porém é possível que isso se concretize obedecendo e respeitando às medidas necessárias. Ao pensar no outro, você também estará cuidando de si.

 *É psicóloga (CRP 10/05611), graduada em Psicologia pelo IESPES; pós-graduanda em Neuropsicologia pelo IPOG. Atua como Psicóloga no Trabalho Técnico Social e atende também na Clínica Com Saúde.

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