Durante seu pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal de Santarém nesta terça-feira, 6 de agosto, o vereador Alaércio Cardoso fez uma avaliação crítica sobre os desdobramentos da COP-30, que será realizada em novembro deste ano em Belém, capital do Pará. O parlamentar, com base em sua experiência enquanto ex-secretário municipal de Turismo, destacou a ausência de planejamento e de organização estratégica por parte do Governo Federal, afirmando que Santarém foi deixada de fora, mesmo tendo se antecipado e preparado com responsabilidade para o evento.
“Enquanto estive à frente da Secretaria de Turismo, fizemos um levantamento criterioso que transformou Santarém no primeiro município do Pará a ter um dossiê completo com todos os modais logísticos disponíveis: rodoviário, aéreo, hidroviário. Nós saímos daqui e fomos até Cuiabá por estrada, fizemos o mesmo para Belém e para Manaus, mapeando a viabilidade econômica e logística de Santarém. Apontamos tudo com dados concretos”, afirmou o vereador.
Alaércio destacou ainda o processo de concessão do Aeroporto de Santarém, realizado em 2022, como um investimento estratégico com vistas à realização de grandes eventos. Para além disso, ressaltou a estrutura do Centro de Convenções, bem como a infraestrutura de hospedagem, fruto de um mapeamento detalhado feito sob sua coordenação.
“Nós catalogamos hotel por hotel, pousada por pousada, até hostels que infelizmente ainda são poucos em Santarém e fizemos um levantamento da qualidade de cada vaga de leito disponível. São cerca de 4 mil leitos. Nós temos 38 hotéis, 54 pousadas e 4 hostels. Esse documento nem Belém tinha à época. Nos espelhamos em capitais como São Paulo para construir um dossiê técnico, minucioso, completo e consistente, para apresentar Santarém como uma cidade preparada, com estrutura, cultura, gastronomia e identidade para ser uma sub-sede da COP-30.”
Segundo o vereador, esse trabalho chegou às mãos de autoridades federais. “Eu mesmo entreguei esse dossiê ao Ministro Celso Sabino. Foi a partir disso que surgiu a ideia de Santarém ser uma sub-sede. Mas hoje, a cerca de 100 dias do evento, absolutamente nada foi feito. Nenhuma delegação virá a Santarém. Nenhum voo foi planejado para cá. Nenhuma hospedagem em cidades vizinhas como São Luís ou Manaus foi organizada. Tudo centralizado em Belém, que não tem a menor condição de receber tamanha demanda.”
Alaércio não poupou críticas à condução do planejamento do evento. “Estamos falando de um evento com mais de 300 bilhões de dólares em investimentos. E o que vemos é puro amadorismo. Eles quiseram hospedar 45 mil pessoas em uma cidade que não tem estrutura hoteleira compatível. O resultado? Delegações desistindo de participar, passagens com preços abusivos, e hotéis com preços superfaturados, desde já. O caos que Belém enfrenta hoje é consequência direta da má gestão e da falta de escuta com quem se preparou. A culpa não é da Prefeitura de Belém e sim de responsabilidade do Governo Federal”.
O parlamentar encerrou sua fala reafirmando que Santarém cumpriu seu papel, se antecipou, e apresentou soluções, mas não foi incluída no processo decisório. “Nós fizemos nossa parte. O que está faltando não é dinheiro, é planejamento. A COP está comprometida em sua raiz. O que começa errado, termina errado. Santarém está pronta, mas foi ignorada. Falo com conhecimento de causa, venho acompanhando isso desde 2022. Perdemos
uma grande oportunidade de mostrar Santarém ao mundo por falha de quem deveria coordenar com responsabilidade esse evento global.”
Por ASCOM vereador Alaércio Cardoso